Mossoró Cidade Junina será o mais caro da história

Considerada a terceira maior festa de São João do país, o Mossoró Cidade Junina teve a sua última edição realizada no ano de 2019, antes da pandemia, durante a gestão da então prefeita Rosalba Ciarlini. Naquela ocasião, os custos referentes à festa – que acontece sempre durante o mês de junho – giraram em torno dos R$ 7 milhões.

Por conta da pandemia da covid-19, a festa não aconteceu durante os anos de 2020 e 2021. Este ano, será o primeiro Mossoró Cidade Junina na gestão do atual prefeito Allyson Bezerra, e os custos com a festa têm chamado atenção. Pelo que foi divulgado até o momento, esta será a edição mais cara da história. Contratos milionários e previsão de despesas com estrutura e contratação de serviços já ultrapassam os R$ 24 milhões.

Nas últimas semanas, memorandos expedidos pela Secretaria Municipal de Administração com a cotação de lotes para estrutura e contratação de serviços circularam na imprensa. Neles estão expostos valores estimados para equipe de apoio, hospedagem, segurança, banheiros químicos, transportes, além das estruturas dos principais espetáculos do evento, como, por exemplo, o ‘Chuva de Bala’, o ‘Pingo da Mei Dia’ e a ‘Cidadela Junina’.

O memorando nº 14/2022 traz o valor total de R$ 12.638.699,59, que inclui cinco lotes, da seguinte forma e valores: Polos musicais (R$ 7.009.702,53), Chuva de Bala e Cidadela Junina (R$ 3.051.400,00), Pingo da Mei Dia (R$ 332.459,42); Banheiros químicos (R$ 520.900,14), Equipe de apoio (R$ 1.724.237,50).

Já o memorando de nº 15/2022, tem valor total de R$ 11.507.728,00, distribuídos em: Alimentação (R$ 466.392,00); Transfer (R$ 1.318.736,00); Profissionais especializados (R$ 1.315.628,50); Segurança privada (R$ 1.349.672,50) e Hospedagem (R$ 7.057.299,00). Se somadas, as cotações dispostas nos documentos ultrapassam os R$ 24 milhões.

Embora os números pareçam bastante altos, se comparados com os custos realizados em 2019, é preciso ressaltar que os valores divulgados ainda são de cotação e, portanto, devem ser reduzidos nos pregões. No entanto, também é natural que sejam feitos questionamentos – principalmente por parte da população e de órgãos fiscalizadores – sobre a real necessidade destas despesas, uma vez que a população mundial passa por grave crise financeira agravada pós-pandemia.

ATRAÇÕES MUSICAIS

Apenas com as atrações musicais anunciadas oficialmente pela prefeitura de Mossoró, cujos contratos já foram publicados no Jornal Oficial de Mossoró, o custo será de R$ 3,6 milhões. Deste montante, R$ 1 milhão será pago a apenas dois cantores: Wesley Safadão e Xandy Avião, que receberão, respectivamente, R$ 600 mil e R$ 400 mil para se apresentar na cidade nos dias 9 e 16 de junho. Ao todo, serão 22 atrações musicais com valores distintos.

Além dos dois cantores já citados, também chama atenção o cachê do baiano Bell Marques, que receberá R$ 300 mil para se apresentar no Pingo da Mei Dia. A dupla Matheus e Kauan custará aos cofres de Mossoró o valor de R$ 280 mil, enquanto que Alceu Valença fará show por R$ 220 mil, mesmo valor que será pago à banda Saia Rodada.

É válido ressaltar que os custos com as atrações ainda devem sofrer acréscimos, uma vez que só foram divulgados os cachês das apresentações nacionais. As atrações locais que vão se apresentar no espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró, bem como na Estação das Artes e na Cidadela Junina ainda não tiveram seus cachês divulgados.

ECONOMIA

A reportagem do NOVO Notícias entrou em contato com a prefeitura de Mossoró, por meio da sua assessoria, para buscar informações sobre os valores dos contratos previstos para a realização da festa. A resposta enviada pela assessoria para a nossa reportagem limitou-se a abordar os valores referentes à montagem de estruturas.

“A Prefeitura Municipal de Mossoró economizou quase 70% nos valores da licitação referente à montagem das estruturas para realização do Mossoró Cidade Junina 2022. O valor estimado no início da licitação era de R$ 12,6 milhões. Já o valor contratado chegou a apenas R$ 4,1 milhões – ou seja quase 70% de economia aos cofres públicos”. Os cachês pagos aos artistas nacionais não foram citados.

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