Sesap reconhece problemas no Hospital João Machado e prevê reabertura de leitos

Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) reconhece a necessidade de melhorias na Clínica Médica 2 do Hospital Geral Doutor João Machado, em Natal, alvo de interdição ética das atividades de enfermagem pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RN), mas sustenta que os problemas encontrados não representavam uma situação de “grande gravidade” com risco à vida dos pacientes. A expectativa da pasta é concluir os reparos e retomar os leitos interditados já na próxima semana.

A avaliação foi feita pela secretária adjunta da Sesap, Leidiane Queiroz, em entrevista ao Repórter 98, da 98FM Natal. Segundo ela, parte dos problemas de infraestrutura apontados pelo conselho já estava sendo corrigida quando a interdição foi determinada.

De um modo geral, nós reconhecemos a necessidade de melhoria. Entendemos que não era uma situação de grande gravidade que colocasse em risco a vida dos pacientes”, afirmou. Leidiane disse que o hospital conta com manutenção 24 horas e uma empresa terceirizada responsável por reformas. “Na semana que vem, a gente deve estar terminando e devemos estar retomando os leitos que foram interditados.

A decisão do Coren-RN determinou a interdição ética das atividades de enfermagem na Clínica Médica 2 e apontou problemas como comprometimento da estrutura física, risco de acidentes de trabalho, falhas na climatização, desabastecimento de insumos e exposição a agentes físicos, biológicos e químicos.

Sesap admite falha de comunicação com o Coren

Questionada se considerava precipitada a decisão do conselho, Leidiane descartou críticas ao órgão fiscalizador e reconheceu uma falha da própria administração na comunicação das providências que estariam sendo adotadas.

Não, eu acho que o Conselho tem o seu papel. Eu acredito que houve uma falha também de retorno”, afirmou. Segundo a secretária adjunta, uma resposta sobre as medidas adotadas pelo hospital chegou a ser preparada, mas não foi encaminhada ao Coren-RN. “Quando essas questões acontecem, o Conselho é como se ele entendesse que não está havendo ação. Então, essa falha de comunicação está sendo tratada também com a nossa equipe.

A Sesap afirma que, inicialmente, a direção do João Machado havia interditado apenas uma parte da enfermaria para permitir a execução da reforma enquanto o restante da unidade permanecia em funcionamento. O Coren, porém, entendeu que toda a enfermaria deveria ser interditada diante das condições verificadas também no segundo posto de enfermagem.

Com isso, os últimos pacientes passaram a ser transferidos para uma enfermaria vizinha para permitir a conclusão integral do serviço.

Mofo atingiu postos de enfermagem

Ao detalhar os problemas estruturais, Leidiane atribuiu parte das dificuldades às chuvas recentes e às características físicas do complexo hospitalar. Segundo ela, a presença de muitas árvores favorece o acúmulo de folhas nas calhas e exige manutenção frequente.

Nos períodos que tivemos agora, recente, de muitas chuvas, algumas áreas, elas acabam tendo maior dificuldade de se manter sem mofo. E isso foi o que aconteceu nos dois postos de enfermagem desta enfermaria” disse. De acordo com a secretária, a situação atingia principalmente os espaços utilizados pelos profissionais, e não diretamente as áreas de assistência aos pacientes.

Leidiane também ressaltou o papel estratégico do João Machado como unidade de retaguarda da rede pública na Grande Natal. O hospital mantém, segundo ela, 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cujo funcionamento depende também da disponibilidade de vagas de enfermaria.

Sesap espera resolver pendências até a próxima semana

A secretaria pretende manter uma nova rodada de diálogo com o Coren-RN ainda nesta semana para apresentar as providências adotadas e tentar viabilizar a retomada integral das atividades.

“Esperamos que desta semana para a próxima, qualquer demanda, qualquer dificuldade que tenha ficado como pendência, ela seja resolvida”, disse Leidiane.

A interdição ética determinada pelo Coren-RN impede as atividades de enfermagem na Clínica Médica 2 até que sejam atendidas as exigências sanitárias e de segurança. A própria decisão, no entanto, preservou a continuidade da assistência aos pacientes que já estavam internados ou sob cuidados da equipe no momento da adoção da medida.

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