‘Quem não está ansioso, está alienado’, diz Débora Falabella sobre Depois a Louca Sou Eu

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O imediatismo, o medo e a ambição vêm ditando o ritmo de vida dos millennials, fazendo a geração experimentar, de forma mais contundente, transtornos como ansiedade e frustração. A questão é explorada com cuidado e exatidão no filme Depois a louca sou eu, estrelado por Débora Falabella, com direção de Julia Rezende, que estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas. Rodado antes da pandemia, o longa é uma adaptação do livro homônimo e autobiográfico da escritora Tati Bernardi. A escritora usa o humor para falar abertamente dos sentimentos. 

O filme é narrado a partir da ótica da Dani (Falabella), que sofre com crises de ansiedade e superproteção da mãe, e precisa lidar com problemas que a acompanham desde a infância. Ela é uma escritora jovem e intensa, mas se sente em descompasso com o mundo, driblando angústias com medicamentos e sessões de terapia. O longa conta com participação do ator Evandro Mesquita, que vive o apresentador do programa Johnny show, onde Dani lança um livro, realizando o grande sonho de sua vida, mas a entrevista acaba não saindo como planejado. 

De acordo com a protagonista, o filme cumpre um papel de desnudar a fragilidade feminina. “Essa maneira que a personagem expõe suas fragilidades é um lugar que me interessa. Nós, mulheres, somos cobradas pela sociedade para sermos equilibradas, por estarmos sempre sendo colocadas na posição de descontrole. Então vejo como uma forma também de provar que uma mulher, mesmo passando por pressões sociais e transtornos psicológicos, consegue avançar e conquistar seus objetivos”, afirma Falabella, em entrevista ao Viver. 

A atriz conta que já tinha uma identificação prévia com Dani, antes mesmo de saber que a viveria em cena. “Eu me identifiquei na personagem quando li o livro, ainda sem pensar no filme. Gosto da maneira como Tati aborda o tema, como ela se expõe e ajuda tantas mulheres com os seus relatos.” 

No ano passado, com os cinemas fechados, uma websérie em seis episódios, intitulada Diário de uma quarentena, foi publicada no Instagram da atriz (@deborafalabellaoficial), relatando a experiência da personagem Dani na pandemia. Os vídeos, gravados pela própria atriz em casa, refletem sobre como o isolamento e o medo da pandemia podem afetar pessoas que já sofriam com ansiedade e demais transtornos. “No momento que vimos que não poderíamos ter o lançamento, pensamos na personagem lidando com a pandemia. Ela, assim como as demais pessoas, não sabiam o que estava por vir”, conta Débora. 

A ideia surgiu de maneira despretensiosa, aproveitando o momento de trabalho remoto. “Eu nunca tinha pensado em produzir conteúdo para redes sociais. Não me sentia à vontade, sei que é uma forma de divulgar nossos trabalhos, mas sempre achei estranho esse hábito de compartilhar fotos para receber curtidas, ou falar de uma peça que muitos não queriam saber. Mas é um momento de se reinventar e vi que as redes também são lugares possíveis. Acabou sendo interessante fazer uma minidramaturgia virtual”, conclui. 

3 Perguntas – Débora Falabella 

Quem é a sua personagem? O quanto há de Débora em Dani? 

Dani foi criada com a mãe, algo que define também as relações com as pessoas e com o trabalho. Essa relação muito próxima acaba desviando do assunto e refletindo na sua vida. Dani é uma mulher que não tem medo de se expor, mesmo passando por tantas questões na sua mente. Dani, com todas essas questões, é uma mulher livre com o sexo, com os outros, apesar de todos os sofrimentos. É uma mulher muito decidida em muitas coisas, que avança apesar de toda dificuldade. Me identifico nesse sentido, porque acredito que nós, mulheres, enfrentamos as dificuldades e seguimos avançando. 

O filme traz discussões muito fortes, é recortado pela questão da ansiedade e há um humor presente em toda narrativa. Qual é o limite para fazer humor com o tema? 

O filme é muito ligado ao livro, que já trata do assunto de uma forma bem-humorada, de rir de si mesmo. Eu acho que quando o tempo passa, acabamos vendo no humor um recurso que gera identificação. Não pensamos em fazer graça, a situação era engraçada por si só e torna as questões mais leves. O filme foi tratado por esse viés. 

Você acha que ainda há um tabu em falar sobre transtornos psicológicos no Brasil atual? 

Tem melhorado… Nesse último ano, inclusive, quem não se sentiu ansioso está alienado. As pessoas foram obrigadas a falar sobre isso. Mas, claro, vejo que o assunto é tratado com desinformação, como tabu. Quando é falado, é sempre de uma forma leve, desinteressada ou pejorativa, reforçando a imagem negativa. Não falam como se fosse natural do ser humano. Muita gente está passando por essas crises, esse estado de incerteza, insegurança com o mundo, com o planeta e com o outro. 

FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO 

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