Inadimplência de empresas bate recorde e atinge 9,1 milhões de CNPJs em junho

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

A inadimplência de empresas brasileiras atinge recorde em junho, segundo dados da Serasa Experian. O país tem 9,1 milhões de CNPJs negativados, com R$ 232,9 bilhões em dívidas atrasadas, maior número desde o início da série histórica, em 2016. A informação é d’O Globo.

Em maio, o total era de nove milhões de empresas devedoras, com R$ 229,9 bilhões em atraso. Cada empresa inadimplente possui em média 7,3 contas em aberto, com bancos, fornecedores ou prestadoras de serviços, somando dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ.

O setor de serviços concentra 55,7% das empresas inadimplentes em junho, seguido pelo comércio, com 32,2%. Micro e pequenas empresas representam 8,7 milhões dos CNPJs negativados, cerca de 95% do total.

Donos de pequenos negócios relatam queda na demanda e dificuldade para honrar compromissos financeiros. Proprietários de restaurantes e confeitarias descrevem redução nas vendas, recurso a cheque especial e atraso no pagamento de fornecedores e impostos.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, associa o quadro ao endividamento das famílias, que também bateu recorde, chegando a 83,9 milhões de negativados em julho. O comprometimento da renda familiar com dívidas está em 74,6%, chegando perto de 90% nas faixas de menor renda.

Juros elevados encarecem o crédito e dificultam o acesso a linhas de melhor qualidade, levando famílias e empresas a recorrer a opções mais caras, como cartão e cheque especial. A Selic está em dois dígitos desde 2022 e recuou apenas 1 ponto percentual desde março, passando de 15% para 14%.

Economistas apontam que programas de renegociação, como o Desenrola, trazem alívio temporário, mas dependem de ajuste fiscal para sustentar queda de juros e evitar nova alta da inadimplência. A projeção é de queda mais consistente nos indicadores a partir de 2027, condicionada a medidas de contenção de gastos públicos.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, defende os programas de crédito subsidiado como o Pronampe e o ProCred360. Segundo ele, já foram feitas 185 mil repactuações no Pronampe, totalizando R$ 26 bilhões, e 47 mil no ProCred360, equivalentes a R$ 2 bilhões.

Compartilhe nas redes sociais