Vendas do comércio potiguar recuam 1,1% em agosto e chegam ao sexto mês consecutivo de queda

Foto: Heilysmar Lima

O índice de volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte caiu 1,1% no mês de agosto, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o sexto mês consecutivo de resultados negativos no setor, também observados em março (-0,1%), em abril (-0,2%), em maio (-1,4%) e em junho (-0,4%) e julho (-0,9%). A série conta com ajuste sazonal.

Já na comparação com agosto de 2025, as vendas do varejo do potiguar tiveram queda de 4,4%. O segmento inclui o comércio de bens não duráveis ou semiduráveis, como hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Apenas no acumulado do ano, de janeiro a agosto, houve crescimento (3,0%) quando comparado ao mesmo período de 2025 no RN. Já crescimento acumulado em 12 meses foi de 4,7%, em relação ao período anterior de 12 meses, quinta maior variação do país, atrás de Pernambuco (7,4%), do Distrito Federal (6,4%), do Acre (5,7%) e do Amapá (5,1%)

Varejo ampliado

As vendas do comércio varejista ampliado do Rio Grande do Norte caíram 0,4% em agosto, na comparação com julho. O segmento inclui comércio de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Em relação a agosto de 2025, houve queda de 2,4%. No acumulado do ano houve aumento de 2% em 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado e de 2,8% no acumulado em 12 meses, em relação ao período anterior de 12 meses.

O que diz a Fecomércio RN?

Com base na PMC, o Instituto Fecomércio RN também analisou o cenário do comércio varejista no estado e destacou que as vendas de supermercados e combustíveis sustentaram o crescimento de 3% entre janeiro e agosto deste ano. Segundo a instituição, com esse resultado, o estado avançou acima da média brasileira, de 1,7%, e registrou o quarto melhor desempenho do Nordeste no período.

A expansão acumulada reflete, sobretudo, o desempenho do varejo potiguar no primeiro quadrimestre. Embora o setor tenha perdido ritmo nos meses seguintes, as vendas dos oito primeiros meses permaneceram superiores às do mesmo período de 2025, já descontada a inflação. No ano passado, o comércio estadual também havia crescido, com alta de 3,1% entre janeiro e agosto.

Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, os números mostram a importância de fortalecer as condições de consumo e a atividade empresarial. “O comércio potiguar mantém um resultado positivo no ano, com a contribuição de segmentos que fazem parte do cotidiano das famílias, como supermercados e combustíveis. Ao mesmo tempo, a desaceleração exige atenção. Precisamos de condições de crédito que favoreçam o consumo responsável e permitam aos empresários planejar seus investimentos com mais segurança”, afirma.

Crédito pesa sobre o desempenho de agosto

Na análise específica de agosto, o Instituto identifica que a queda nas vendas de móveis e eletrodomésticos e de equipamentos para escritório, informática e comunicação puxou a retração de 4,4% do varejo estadual em relação ao mesmo mês de 2025. São atividades mais dependentes de crédito e, por isso, mais sensíveis aos juros elevados e às restrições associadas à inadimplência.

O resultado interrompeu uma sequência de 16 meses de crescimento na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O IFC ressalta, porém, que agosto de 2025 havia registrado uma alta de 7,2%, o que estabeleceu uma base elevada para a comparação deste ano.

Já no comércio varejista ampliado, que também inclui veículos, motocicletas e peças, materiais de construção e atacado especializado em alimentos e bebidas, a retração de agosto foi menor, de 2,4%. Segundo a análise do Instituto, o desempenho positivo das atividades de veículos e do atacado de alimentos contribuiu para atenuar a queda. No acumulado de janeiro a agosto, o varejo ampliado potiguar cresceu 2%.

Apesar da desaceleração, a avaliação do Instituto Fecomércio RN é de que 2026 deve terminar com crescimento da atividade comercial no estado.

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