Gustavo Carvalho apresenta PEC para proteger servidores em empréstimos consignados após atraso de repasses no RN

Proposta busca garantir que trabalhadores não sejam penalizados por eventuais atrasos do Estado no repasse dos valores descontados em folha.

O deputado estadual Gustavo Carvalho (PL) apresentou, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece medidas de proteção aos servidores públicos que realizam empréstimos consignados. A iniciativa surge em meio à repercussão do atraso no repasse de valores descontados em folha pelo Governo do Estado às instituições financeiras.

Nos últimos meses, o tema ganhou destaque após a divulgação de informações por parte do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público da Administração Direta do RN (SINSP) sobre possíveis atrasos que podem chegar a cerca de R$ 600 milhões, segundo estimativas divulgadas na imprensa. Apesar da repercussão, o montante exato da dívida ainda não foi oficialmente esclarecido pelos órgãos competentes.

Até o momento, não houve uma apuração conclusiva por parte do Governo do Estado, nem posicionamento detalhado por parte do Banco do Brasil ou do Banco Central sobre o volume total de recursos em atraso. O único posicionamento público foi uma nota do secretário estadual de Finanças reconhecendo a existência da dívida, sem apresentar valores consolidados.

O tema também já havia sido discutido na Assembleia Legislativa. Em julho de 2025, durante audiência na Comissão de Finanças da Casa, o secretário afirmou que a situação estaria solucionada até dezembro daquele ano. No entanto, o problema ainda não foi resolvido.

Diante desse cenário, a PEC apresentada por Gustavo Carvalho busca criar garantias constitucionais para evitar prejuízos aos servidores. A proposta estabelece que os valores descontados em folha para pagamento de empréstimos consignados terão natureza de verba vinculada e transitória, não podendo ser considerados receita disponível do Estado. Dessa forma, o governo passa a ter obrigação constitucional de repassar integralmente os recursos às instituições financeiras dentro dos prazos estabelecidos.

Outro ponto central da proposta é a proteção direta ao servidor. Caso ocorra atraso ou inadimplência por parte do Estado no repasse dos valores, o trabalhador não poderá sofrer qualquer penalidade, restrição financeira ou impacto em seu histórico de crédito.

Segundo Gustavo Carvalho, a iniciativa busca garantir segurança jurídica aos servidores públicos e evitar que trabalhadores sejam responsabilizados por problemas administrativos do Estado. “O dinheiro do consignado já sai diretamente do salário do servidor. Portanto, não pertence ao Estado. O governo apenas intermedeia essa operação. Se houver atraso no repasse, o servidor não pode ser penalizado por algo que não foi causado por ele”, afirmou o parlamentar.

A proposta também reforça o entendimento de que os recursos descontados em folha devem ser tratados como valores destinados exclusivamente ao pagamento das operações de crédito contratadas pelos servidores.

Para o deputado, a PEC representa uma medida de proteção institucional em um momento de grande preocupação entre os trabalhadores do serviço público estadual. “A intenção é garantir que o servidor público do Rio Grande do Norte tenha segurança jurídica e não seja prejudicado por eventuais falhas administrativas ou financeiras do Estado”, destacou.

A proposta agora seguirá para tramitação na Assembleia Legislativa, onde deverá passar pelas comissões temáticas antes de ser apreciada em plenário.

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